Larga a pedra da margem do rio e deixa-te seguir. Escorre com
a água curso abaixo mesmo que não vejas pelas curvas e não saibas o que te
espera mais à frente.
Larga a pedra da margem do rio que já te doem as mãos. Pelo
musgo os dedos cansados escorregam. Não te deixes cair, faz da ida opção de
quem não tem outra.
Larga a pedra da margem do rio, que os braços cansados pedem
o descanso de quem já não tem nada a perder.
Tu que já viste tanta água passar por ti, respira fundo e não
sustenhas o fôlego. Virás à tona mais vezes do que julgas e o rio não é assim
tão fundo.
Segue com o rio. Lá em baixo há mais como tu que te seguem
paralelos e por vezes te dão a mão. Que também desconhecem mas escolheram a
leveza de fluir.
Pode ser que haja poucas pedras no caminho do teu rio. Mas
larga essa que já não te serve.
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