sexta-feira, 25 de maio de 2012

Vamos ao cinema?

(sem acentos)

Pega num balde de pipocas e senta-te na primeira fila a assistir aos filmes da tua mente. Ha de tudo - drama, comedia, terror. E sempre ficcao.

domingo, 20 de maio de 2012

Da Pedra na Margem do Rio


Larga a pedra da margem do rio e deixa-te seguir. Escorre com a água curso abaixo mesmo que não vejas pelas curvas e não saibas o que te espera mais à frente.

Larga a pedra da margem do rio que já te doem as mãos. Pelo musgo os dedos cansados escorregam. Não te deixes cair, faz da ida opção de quem não tem outra.

Larga a pedra da margem do rio, que os braços cansados pedem o descanso de quem já não tem nada a perder.

Tu que já viste tanta água passar por ti, respira fundo e não sustenhas o fôlego. Virás à tona mais vezes do que julgas e o rio não é assim tão fundo.

Segue com o rio. Lá em baixo há mais como tu que te seguem paralelos e por vezes te dão a mão. Que também desconhecem mas escolheram a leveza de fluir.

Pode ser que haja poucas pedras no caminho do teu rio. Mas larga essa que já não te serve.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

MindfulLess

Multitasking

Pego no filtro para fazer um cigarro. Lembro-me que tenho que tomar os comprimidos. Para isso preciso de um copo de água. Não sendo arraçada de polvo já não tenho mãos para tudo. Seguro o filtro com a boca. Os comprimidos numa mão. O copo de água na outra. Pego no copo de água. Engulo o filtro. Percebo que não consigo fazer um cigarro com comprimidos.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Agradável e o Desagradável II


EL REY CICLOTÍMICO

"Había una vez un rey muy poderoso que reinaba un país muy lejano. Era un buen rey. Pero el monarca tenía un problema: era un rey con dos personalidades. Había días en que se levantaba exultante, eufórico, feliz. Ya desde lamañana, esos días aparecían como maravillosos. Los jardines de su palacio le parecían más bellos. Sus sirvientes, poralgún extraño fenómeno, eran amables y eficientes esas mañanas.En el desayuno confirmaba que se fabricaban en su reino las mejores harinas y se cosechaban los mejores frutos. Esoseran días en que el rey rebajaba los impuestos, repartía riquezas, concedía favores y legislaba por la paz y por el bienestarde los ancianos. Durante esos días, el rey accedía a todos los pedidos de sus súbditos y amigos.

Sin embargo, había también otros días. Eran días negros. Desde la mañana se daba cuenta de que hubiera preferidodormir un rato más. Pero cuando lo notaba ya era tarde y el sueño lo había abandonado. Por mucho esfuerzo que hacía,no podía comprender por qué sus sirvientes estaban de tan mal humor y ni siquiera lo atendían bien. El sol le molestabaaun más que las lluvias. La comida estaba tibia y el café demasiado frío. La idea de recibir gente en su despacho leaumentaba su dolor de cabeza. Durante esos días, el rey pensaba en los compromisos contraídos en otros tiempos y seasustaba pensando en cómo cumplirlos. Esos eran los días en que el rey aumentaba los impuestos, incautaba tierras,apresaba opositores...

Temeroso del futuro y del presente, perseguido por los errores del pasado, en esos días legislaba contra su pueblo y supalabra más usada era NO. Consciente de los problemas que estos cambios de humor le ocasionaban, el rey llamó a todoslos sabios, magos y asesores de su reino a una reunión.
—Señores –les dijo— todos ustedes saben acerca de mis variaciones de ánimo. Todos se han beneficiado de mis euforiasy han padecido mis enojos. Pero el que más padece soy yo mismo, que cada día estoy deshaciendo lo que hice en otrotiempo, cuando veía las cosas de otra manera. Necesito de ustedes, señores, que trabajéis juntos para conseguir elremedio, sea brebaje o conjuro que me impida ser tan absurdamente optimista como para no ver los hechos y tanridículamente pesimista como para oprimir y dañar a los que quiero.

Los sabios aceptaron el reto y durante semanas trabajaron en el problema del rey. Sin embargo todas las alquimias, todoslos hechizos y todas las hierbas no consiguieron encontrar la respuesta al asunto planteado.
Entonces se presentaron anteel rey y le contaron su fracaso. Esa noche el rey lloró.
A la mañana siguiente, un extraño visitante le pidió audiencia. Era un misterioso hombre de tez oscura y raída túnica quealguna vez había sido blanca.
—Majestad –dijo el hombre con una reverencia—, del lugar de donde vengo se habla de tus males y de tu dolor. Hevenido a traerte el remedio. Y bajando la cabeza, acercó al rey una cajita de cuero. El rey, entre sorprendido yesperanzado, la abrió y buscó dentro de la caja.
Lo único que había era un anillo plateado.
—Gracias –dijo el rey entusiasmado— ¿es un anillo mágico?
—Por cierto lo es –respondió el viajero—, pero su magia no actúa sólo por llevarlo en tu dedo... Todas las mañanas,apenas te levantes, deberás leer la inscripción que tiene el anillo. Y recordar esas palabras cada vez que veas el anillo entu dedo.

El rey tomó el anillo y leyó en voz alta: Debes saber que ESTO también pasará"

Jorge Bucay

O Agradável e o Desagradável I


A noção de se ficar com o que é desagradável pode parecer estranho e talvez ate masoquista. Tendemos a fugir-lhe comendo, jogando, bebendo, saindo ou dizendo “não chores”.
Há uns anos aprendi que o fugir da dor, o não a sentir significava também não sentir o agradável, o prazer. A mente que se habitua a fugir não distingue os momentos a sentir. Pura e simplesmente não os sente.
Em terapia pediram-me para ficar com a dor que sentia, quando a sentisse. Achei por um lado um exercício de masoquismo e por outro pareceu-me impossível que no momento que abrisse a caixa de Pandora não ficasse a chorar eternamente.
Este fim-de-semana com o J. aprendi que com a dor normalmente agimos de uma de duas formas: ou fugimos dela a sete pés ou nos afundamos nela, tornando-a parte da nossa identidade.  Torná-la parte do que nos define não é o mesmo que ficar com a dor que sentimos no momento, no presente. É ressoar com o Passado e projectá-la no futuro.
Ficar com a dor no presente é senti-la no corpo, chorá-la no agora e observar como se vai diluindo. É aperceber-nos que com o desagradável também coexiste o agradável, que este não deixa de existir. Duas faces da mesma moeda.

Vai dar banho ao cão!


No curso de mindfulness foi-nos proposto que escolhêssemos uma actividade diária e que a fizéssemos com atenção plena. Escolhi o tomar banho. De facto é uma das actividades que sei que me dá prazer mas na qual a minha mente facilmente voa para planear o dia que se segue.
Tinha prometido novidades sobre este curso e parece-me também importante perceber que existem dificuldades na meditação, na atenção plena. Que a mente divaga. E que de cada vez que notamos que a mente já está a divagar é um momento de atenção plena.

Dia 1
Ao fim do dia penso “Esqueci-me de ser mindfull a tomar banho”

Dia  2
Acabo de tomar banho e penso “Ah! Era para tomar banho com consciência!”

Dia 3
Após 5 minutos no banho “mindfulness no banho. Ah lembrei-me! A água a escorrer pelo corpo…ando a esquecer-me de imensas coisas, ainda bem que tenho uma agenda! A minha agenda está cheia. Espera! Aqui e agora estou no banho. Já me ensaboei e nem dei por nada. Será que com o barulho do duche consigo ouvir o telemóvel? Na volta quando sair do banho tenho uma mensagem do T. Quando é que voltaremos a sair? Ah! O banho! M* já acabou!”

Dia 4
“Hoje é que é! Mindfulness no banho. Hummm água quente nos pés frios…que bom…
Quente, quente, quente até queimaaaaaaaaaaaaaaaar!
Gelado, gelado, não vás por ai por onde vais
Frio, frio, frio não te afastes maaaaaais
Olha para o que me havia de dar!
Hummmm…sentir a água escorrer pelas costas, as pernas cansadas da caminhada, os frascos a boiar na banheira. Branco, cor-de-rosa. Os pés encarnados pela água…
Quente, quente, quente até queimaaaaar
Raio da música fica na cabeça!
Ensaboar o corpo…hummm…que bem que sabe esta massagem…e a água a escorrer…hum…
Gelado, gelado, não vás por aí por onde vais…
Fim do banho. Vou tentar manter-me consciente ao longo do dia

Dia 5
Entro no banho, saio do banho. “M*! Mindfulness no banho!”

Dia 6
“Olá pensamento, adeus pensamento” mood.


Dos caminhos e do segui-los


“Não interessa se és novo ou velho, se tens muito ou pouco.
Não interessa donde vens, mas sim para onde vais.
Na tua vida, há um momento.
Um momento em que percebes que essa vida é tua, que podes mudá-la,
Um momento em que decides ter o futuro nas mãos, torná-lo mais teu.
Agarra esse momento. Aproveita-o. Trilha o teu caminho. Acredita em ti.
No teu potencial.
Porque há um dia na tua vida em que decides mudar a vida.”
(Anúncio do BES)

Quando encontramos o nosso caminho e o sentimos nas entranhas, tendemos a querer num ímpeto segui-lo. A nível profissional percebemos qual é a nossa missão. Mas acontece por vezes a nossa mente boicotar-nos com argumentos que tantas vezes ouvimos na nossa família “isso não é um trabalho sério/fixo”, “como é que vais sobreviver fazendo isso?”. E a verdade é que, fora o lado prático das coisas (convém de facto sobrevivermos e podemos de momento não largar tudo) tudo se vai encaixando no sentido da nossa missão. Se estivermos abertos a isso. Se não ignorarmos a voz, a mente que se sente ameaçada, é natural que das duas uma: ou nada acontece na nossa vida profissional (a tal mudança desejada) ou não vemos os outros caminhos que se vão abrindo diante de nós. 
Há pontapés que se levam na vida profissional, mas também há opção na forma como decidimos encarar as coisas. Comigo, claramente que a minha vida profissional não passava mais por trabalhar onde trabalhava. Mas dói, temos inseguranças. E mudar, ao início, arriscar, assusta. Serei capaz? Observo de fora. Vejo o meu blog, as minhas consultas, os pacientes com problemas de ansiedade, o meu percurso pessoal, um curso de mindfulness que surgiu quase do nada e sei que não há coincidências. Que todos os dias vou optar por arriscar mais um pouco. Que me vou deixar ir. E daqui a uns tempos teremos novidades. Corra como correr.