Cada um de nos quando era bebé, era
fiel a si mesmo e às suas necessidades. Comíamos quando tínhamos fome, procurávamos
colo quando precisávamos de mimo, riamos quando tínhamos vontade e chorávamos
lágrimas gordas quando estávamos tristes. Éramos o que éramos. E repare como
falo em bebés e já não em crianças quando começamos a condicionar-nos.
Um bebé não tem vergonha de se
apresentar como é, nem almeja ser algo que não um bebé. Não se projecta no
futuro nem ancora os pensamentos no passado. Vai vivendo o presente e
respondendo às situações, tentando colmatar as necessidades que sente, sejam
elas sono ou fome, a vontade de rir ou chorar.
O que aconteceu para à medida que o
tempo passava nos irmos afastando do real, de sermos o que somos?
Arranjamos constantemente formas de
fuga, comendo quando não temos fome, porque não queremos sentir nem ouvimos o estômago
gritar que já está saciado. Evitamos chorar porque parece mal mas somos capazes
de gritar com o nosso filho porque ele pede atenção. À noite sofremos insónias
pelas preocupações com o que virá. Esquecemo-nos de rir porque a cabeça já está
noutro lado que não com o outro que se senta à nossa frente. Sentimo-nos frustrados
por querermos realizar-nos como algo que não somos.
Sempre que desabitamos o corpo, que
fugimos para o mundo dos pensamentos, que negamos uma parte de nós ou que
evitamos sentir o momento presente, não estamos a ser verdadeiros na nossa
existência. Evitamos o “mau” esquecendo que a mente é entidade de hábitos que
facilmente se habitua a fugir também do “bom”.
As pessoas mais felizes que conheço são
aquelas que estão em contacto. As que sofreram, que o assumem, que choram
quando sentem necessidade, mas que não se prendem à dor e permitem-se estar
presentes no aqui e agora. São as que se fartaram de sofrer e decidiram olhar à
volta e apreciar o que está a acontecer.
Poucas serão aquelas que não tiveram
que trabalhar nesse sentido. Até porque o nosso mundo valoriza o intelecto, o
moer e remoer, o raciocínio e considera quem vive na mente como pessoa
inteligente que é coisa para elevar o ego. Mas a paz e a felicidade não residem
no ego, nem na mente. Residem no bebé que aceita o que é, como é.
Procuremos então ouvir o corpo, libertar o passado e o
futuro e aceitar o agora. Procuremos sentir-nos por dentro, habitar-nos e
satisfazer a necessidade do agora. E permitamo-nos estar e ser. Em paz.
"As pessoas mais felizes que conheço são aquelas que estão em contacto. As que sofreram, que o assumem, que choram quando sentem necessidade, mas que não se prendem à dor e permitem-se estar presentes no aqui e agora. São as que se fartaram de sofrer e decidiram olhar à volta e apreciar o que está a acontecer."
ResponderEliminarEsta é a minha fase actual...
Obrigada por seres quem és, por fazeres parte da minha vida, por me deixares chorar no teu ombro quando a dor me assombra a alma e por partilhares os meus sorrisos quando a vida me sorri.
Beijjo grande!
Um grande beijo minha querida, daqueles mesmo no coração. :)
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