“A coerência cardíaca”
‘(…) A primeira parte do exercício consiste em virar a atenção para o
interior de si próprio. A primeira vez que este exercício, é preciso em
primeiro lugar que a pessoa se subtraia ao mundo exterior e aceite por de lado
todas as preocupações durante alguns minutos. Aceitar que as nossas
preocupações possam esperar um pouco, o tempo necessário para que o coração e o
cérebro recuperem o equilíbrio, a sua intimidade.
A melhor maneira de o conseguir é começar por respirar duas vezes lenta e
profundamente. (…) Para que o efeito seja o maior possível, é preciso deixar a
atenção acompanhar a respiração até ao fim da expiração e deixa-la fazer uma
pausa de alguns segundos antes de a segunda expiração se desencadear por si
mesma. Na realidade é preciso deixarmo-nos levar pela expiração até ao ponto
onde esta se transforma naturalmente numa espécie de suavidade e de leveza.
Os exercícios mentais de meditação sugerem que se continue esta prática
centrada na respiração o mais tempo possível e que se mantenha o espírito
vazio. Mas para maximizar a coerência cardíaca é preciso, após dez ou quinze
segundos desta estabilização, fazer incidir conscientemente a atenção na zona
do coração dentro do nosso peito. Para esta segunda etapa, o mais simples é
imaginar que estamos a respirar através
do coração (…) Continuando sempre a respirar lenta e profundamente é preciso visualizar
– sentir mesmo – cada inspiração e cada expiração a atravessar essa parte tão
importante do nosso corpo. Imagine que cada inspiração lhe traz, à passagem, o
oxigénio de que ela tanto necessita, e que a expiração a deixa desfazer-se de
todos os dejectos de que já não necessita. Imagine os movimentos lentos e leves
da inspiração e da expiração que deixam o coração lavar-se nesse banho de ar
puro, clarificador e calmante. (…)
A terceira etapa consiste em ligar-se à sensação de calor ou de expansão
que se desenvolve no seu peito, em acompanha-la e em encoraja-la com o
pensamento e a respiração. (…) Um método eficaz para encorajar o coração é
evocar directamente um sentimento de reconhecimento ou de gratidão e deixá-lo
invadir o peito. (…) Durante este exercício verifica-se às vezes que um sorriso
surge suavemente nos lábios, como se tivesse nascido no peito e vindo
desabrochar no rosto. É um sinal muito simples de que a coerência cardíaca foi
estabelecida.’
David
Servan Schreiber
“Curar”
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